Futebol

Copa 2026: vamos esquecer as dores do mundo?

A Copa do Mundo de 2026 tem o maior número de seleções e 48 países disputam o título no México, Canadá e Estados Unidos.

A FIFA tem mais países membros do que a ONU e de 4 em 4 anos essa instituição organiza a Copa do Mundo de Futebol. Esse ano a Copa do México, Canadá e Estados Unidos tem um número recorde de seleções e isso permite a estreia de países que, provavelmente, nunca conseguiriam estar na competição: Cabo Verde, Curaçau, Jordânia e Uzbequistão.

Lembro que assisti a Copa de 70 junto com a minha família e isso virou uma tradição nas outras Copas. De 1970, até 2022, com certeza tenho muita história para contar, como qualquer torcedor do mundo. A Copa desperta memórias, paixão, alegria, união e nesse mundo, quase sempre dividido, ela oferece uma fuga da realidade.

Tenho certeza de que a maioria da população mundial só quer vibrar e torcer pela sua seleção. Até mesmo porque a maior parte desses torcedores nem tem dinheiro para viajar, ou comprar um simples ingresso de uma partida da Copa do Mundo. Mesmo assim todos os jogos serão assistidos por bilhões de pessoas em vários países. O futebol é uma força que nos conecta ao mundo e isso é muito maior do que qualquer atitude isolacionista.

O mundo de olho na bola

A geopolítica quase sempre é movida por interesses e a população mundial não aguenta mais sofrer pela incompetência e a ganância de políticos nefastos. O povo quer ter uma vida digna e torcer em paz pela sua seleção. Pouco importa se a camisa é verde, amarela, azul, branca ou vermelha, cada um torce do jeito que acha melhor.

Aliás, a camisa vermelha da seleção, lançada pela Nike e cancelada por causa da ignorância de uma minoria, está a venda no mercado informal e em vários sites. Fazemos parte de um país soberano e nossa seleção é a única pentacampeã. É lamentável impedir uma camisa da seleção na cor vermelha e vetada por uma minoria que desconhece a história do Brasil.

Copa do Mundo: vamos esquecer as dores do mundo?

O Estádio Azteca, no México, já recebeu três Copas do Mundo

Futebol contra o capitalismo

O futebol alcança lugares que nenhum governo imagina e permite que cada pessoa veja os seus ídolos em campo. A abertura da Copa do Mundo de 2026 no México mostra que o esporte tem o poder de unir os povos e uma prova disso é a imagem de um torcedor coreano sendo jogado para o alto, pelos torcedores mexicanos. É essa conexão que o mundo necessita. Apesar do capitalismo ter sequestrado o futebol e de boa parte da população mundial ignorar os fatos históricos que criaram o nosso mundo atual.

Um exemplo desse domínio capitalista é o Botafogo, clube que mais cedeu jogadores para seleção em Copas, com Danilo sendo o 48º jogador convocado. Apesar de aparecer na campanha da Mizuno, novo fornecedor do Botafogo, o jogador está praticamente vendido para a Europa. Isso mostra como o capitalismo já domina o futebol mundial, desde a ida do Zico para a Udinese e do Careca para o Napoli, na década de 80.

Desde essa época o torcedor brasileiro vive uma alegria fugaz e a cada ano perdemos ídolos para a Europa e agora até para a Arábia. Esse ano até tivemos vários jogadores de times brasileiros na seleção, mas eles já devem aguçar o pensamento capitalista dos empresários.

O mundo, dominado por essa máquina de loucos que só pensa em lucrar, pode até comprar times seculares, quase todos criados por trabalhadores, mas nunca conseguirá acabar com a essência do futebol. Aquele futebol da geral, da pelada de rua, do torcedor popular nos estádios, mesmo que hoje esse esporte seja dominado pela elite. Em quase todas as Copas o mundo estava em ebulição e já é a segunda edição do torneio da FIFA em um país que oprime as minorias. Mesmo assim, o torcedor insiste e, apenas por alguns dias, esquece todas as dores do mundo em que vivemos. Vamos torcer!

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